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A Ordem dos Médicos lidera organizações europeias ao mais alto nível. Entre elas a UEMO cujos representantes estão desde ontem em Óbidos a debater algumas das questões mais relevantes para a especialidade de Medicina Geral e Familiar a nível europeu. Esta manhã, entre os temas em debate, destaca-se o reconhecimento da especialidade de Medicina Geral e Familiar (MGF) a nível europeu, o recrutamento e a retenção de médicos de família, a acreditação de eventos formativos e a criação de um currículo europeu de MGF. Foi também abordada a substituição de médicos de família por profissionais não médicos.
A reunião conta com a presença de representantes de várias instituições nacionais e europeias, entre os quais Rita Sá Machado, diretora-geral da Saúde, Catarina Martins, deputada ao Parlamento Europeu e coordenadora da Comissão SANT, Nuno Jacinto, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), Rodrigo Farinha Marques, diretor clínico para a área dos Cuidados de Saúde Primários da ULS do Oeste, Filipa Lança, vice-presidente da Secção Regional do Sul da Ordem dos Médicos, Ana Correia de Oliveira, membro do Conselho de Administração da Direção Executiva do SNS, e Filipe Daniel, presidente da Câmara Municipal de Óbidos.
​​​​​​​A presidência da UEMO pertence neste momento ao nosso país e é assegurada por Tiago Villanueva (Lisboa), Catarina Matias (Coimbra) e Pedro Fonte (Porto) que são, respetivamente, o Presidente, a Secretária-geral e o Tesoureiro.

 

UEMO debate em Óbidos o futuro da Medicina Geral e Familiar e os desafios dos sistemas de saúde europeus 
A importância da proximidade entre a Saúde Pública e a Medicina Geral e Familiar (MGF), a valorização dos médicos, a formação médica e o impacto da tecnologia nos cuidados de saúde foram alguns dos temas em destaque na reunião da União Europeia dos Médicos de Família (UEMO), que decorre atualmente em Óbidos. Na sessão, Rita Sá Machado, diretora-geral da Saúde, destacou a importância de um sistema de saúde que conheça a população e os riscos que mais a afetam. Sublinhou que a Saúde Pública e a Medicina Geral e Familiar se afirmaram como pilares do sistema de saúde, através da diferenciação, mas não da separação, defendendo um reforço da proximidade entre as duas especialidades. A responsável salientou ainda o papel da Saúde Pública na identificação de riscos, na redução da carga de doença e na manutenção do controlo de doenças já prevenidas, nomeadamente através da vacinação. Destacou também a abordagem One Health e a importância de alinhar objetivos a nível europeu, perante desafios comuns. 
Carlos Cortes, Bastonário da Ordem dos Médicos, agradeceu à direção da UEMO, na pessoa do seu presidente, Tiago Villanueva, e reafirmou o compromisso da Ordem com o acesso equitativo aos cuidados de saúde, a qualidade da assistência e a valorização dos médicos. Defendeu que os profissionais precisam de tempo para ouvir, pensar e tomar decisões seguras, sublinhando que a remuneração deve refletir a responsabilidade assumida e que a carreira médica deve reconhecer o mérito e o empenho. Destacou ainda a necessidade de uma melhor educação dos jovens médicos, do reconhecimento da MGF em toda a Europa e de maior participação dos médicos de família nas decisões que afetam o seu trabalho. Sobre a tecnologia e a inteligência artificial, considerou que podem constituir ferramentas importantes, desde que salvaguardadas a privacidade e a supervisão humana. Reiterou, por fim, o apoio da Ordem dos Médicos ao trabalho da UEMO na defesa de elevados padrões profissionais, da liberdade clínica e da qualidade dos cuidados. 
Catarina Martins, deputada ao Parlamento Europeu, chamou a atenção para os desafios de financiamento e para a necessidade de reforçar o número de médicos de família. Defendeu que nenhuma tecnologia poderá substituir a relação entre o médico e o doente, que exige tempo e confiança, alertando também para os riscos associados à segurança dos dados. Na sua intervenção, questionou ainda a forma como está organizada a força de trabalho em saúde e a possibilidade de distribuir algumas tarefas por outros profissionais. Destacou, em particular, a importância de olhar para além dos indicadores habitualmente utilizados na avaliação dos sistemas de saúde, valorizando também os resultados que não são imediatamente visíveis: as doenças prevenidas, os problemas que não chegaram a acontecer e os ganhos decorrentes de uma intervenção atempada. Considerou que os médicos de família têm um papel fundamental na identificação e valorização destes resultados. 
A reunião da UEMO constitui um espaço de reflexão e partilha entre representantes da Medicina Geral e Familiar de vários países europeus, promovendo o debate sobre os desafios comuns e o futuro da especialidade nos sistemas de saúde.
 

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